sexta-feira, 20 de abril de 2012


Depois de um dia cansativo, já sem tempo, dirigi-me a um sítio qualquer, não precisava de ser bonito, até pelo contrário, obscuro naquele momento era o mais indicado para mim, sentei-me num banco molhado pela chuva e lágrimas disfarçadas pela chuva escorriam-me pelo rosto abaixo, não as pudia conter, aliás, nem queria que isso acontecesse, queria chorar, desanuviar a minha mente, queria sair do mundo preso onde vivia, aliás, de onde nunca cheguei a sair, perguntava-me como sair dali, pois a única saída que supostamente era ele, encontrava-se celada. não pensava em mais nada, não me importava de ficar constipada, pois a constipação passava, quanto aquela dor que me invadia, já não tinha tanta certeza disso, levantei-me do branco, sequei as lágrimas, e ainda fraca sorri, inutilmente para a frente, onde se encontravam flores molhadas, olhei a relva e sorri novamente, tentei ficar feliz, quando de repente, me disse a mim mesma : " mas quem queres tu enganar? " e comecei a chorar novamente, compulsivamente, deitei as mãos á cara de o meu pensamento disse-me que estava perdida, pois na verdade lutar não me iria servir de nada, tentei ligar-lhe, mas quando ia marcar o seu número, arrependi-me, pensei no que estava a fazer, não lhe podia ligar, não podia mostrar parte fraca, além disso, não tinha assunto para lhe propor e o mais provável era nem me atender, afinal, quem me atenderia? sentei-me novamente e comecei a pensar na vida, a vida que tinha tomado, o beco sem saída em que me encontrava, e habitualmente, pessoas normais recorreriam ás amigas, mas nem essas me valiam de nada, o que eu precisava era mesmo de mim e apenas de mim, precisava de arranjar uma solução sozinha, sem ninguém, porque ninguém dura para sempre e teria que apender que os amigos não podem estar sempre a resolver os problemas dos outros, habitualmente, agora pessoas normais estariam a dizer que é uma tolice, pois amigos servem para isso, servem sim, servem mesmo, mas do que valeria eu chamar amigos se nem eles me poderiam ajudar numa situação destas?poderiam dar-me o ombro para chorar, mas para isso tenho-me a mim, e choro sozinha sem ter que ouvir : " o que se passa? conta-me. ", porque na verdade, isso irritava-me imenso, e além disso do que serviria estar a deixar amigos preocupados comigo se fui eu que me meti nesta situação? e mais uma vez pessoas normais iriam chamar os amigos mesmo com todos esses contratempos, não importa, decidi não chamar ninguém, passei a ser um cofre fechado, guardava as coisas só para mim, e quando tinha de chorar, chorava, sem ninguém ver as minhas lágrimas, é assim que se esconde a tristeza, não queria estar na posição dos meus amigos se fosse a eles, porque ter uma amiga com uma depressão, é um algo ou tanto chato, levantei-me do banco e segui em frente, fui pelo caminho das flores de onde arranquei uma, talvez ela me transmitisse felicidade, mas não, deitei a flor ao chão, e caí de joelhos no chão repleto de flores molhadas, e continuava a chover, ou melhor, chovia ainda mais, para ser franca, nem sentia a chuva, tal a tristeza em que me encontrava, apetecia-me desaparecer, para um sítio onde ninguém, mas mesmo ninguém me encontrasse, dirigi-me á escola, que estava vazia, pois eram férias da páscoa , entrei lá dentro, dizendo aos auxiliares que iria ver as minhas notas, percorri a escola, percorri todos os cantos onde me costumava encontrar nos tempos livres, ou nas eventuais faltas que cometia, lágrimas corriam novamente pelo meu rosto, segui para a casa de banho do pavilhão onde tinha habitualmente aulas, entrei em segredo, abrindo a porta tentado não fazer muito barulho, quando cheguei á casa de banho, pus as os braços esticados no lavatório e olhei-me ao espelho, a minha cara estava sombria, com o eyeliner a escorrer pelos olhos, parecendo lágrimas pretas, deixando a minha cara assustadora, entrei num dos compartimentos dos sanitários, para que se os auxiliares escolares fossem fazer a inspeção, não me encontrassem lá, ouvi vozes nos corredores, perto da casa de banho, vocês familiares, fiquei em estado choque, eram as minhas amigas que tinham ido ver as notas e agora iam á casa-de-banho, supostamente retocar a maquilhagem estragada pela chuva, tranquei-me dentro do sanitário onde me encontrava, e meti-me em cima de um apoio de ferro, que servia para nos agarrarmos, para que não vissem os meus pés, estavam a rir, e a falar sobre os seus namorados, e depois falaram sobre mim, de como estava afastada e estranha, de como tinham saudades da pessoa que eu era antes, queria chorar, mas não podia, então meti a mão á frente da boca para evitar barulho, e novamente, chorei. quando elas se foram embora, destranquei o compartimento, peguei na minha mala, e saí chorando, escondi-me numa das quinas do pavilhão, para evitar que elas me vissem naquele estado, de seguida, fui ver as notas, aproveitei o fato de estar na escola para o fazer, as minhas notas não foram más, admito que pensei que fossem piores, comparado ao esforço que fiz, saí da escola, e sorri para a auxiliar, dizendo obrigada por me deixar entrar, deram as badaladas das cinco horas da tarde, dirigi-me a casa, onde não se encontrava ninguém, fui para o meu quarto e fechei-me lá, deitei-me na cama e peguei num álbum de fotografias antigas, esta vez não chorei, não valeria de nada chorar por coisas do passado, estavam lá fotos essencialmente minhas e do meu ex-namorado, que me fazia muita falta, nesse preciso momento, ouvi a porta de casa a bater, entrei na casa-de-banho do meu quarto e tratei de tirar os vestígios de eyeliner ainda existentes no meu rosto, fechei o álbum de fotografias e mandei-o para de baixo da cama, destranquei a porta, e deitei-me na cama fingindo estar a dormir, passado uns minutos, a minha mãe entra no meu quarto, o meu coração batia a mil pela rapidez como fiz as coisas, a minha mãe deu-me um beijo na testa e foi embora, nem eu sabia como consegui ficar paralisada de um momento para o outro, mesmo com a vontade imensa de abrir os olhos, passado uma meia hora, saio do meu quarto, encenando estar com sono, e fui ter com a minha mãe á sala, onde esta via televisão no sofá, sentei-me lado a lado com ela e dei-lhe um beijo, de seguida fui á cozinha e preparei algo para ambas comermos, e desafiei-a para um passeio a duas, talvez irmos fazer compras, ela alinhou, como sempre, e fomos, tomei a atitude certa e sabia disso, pois o que eu precisava mesmo era de sais do mundo monótono onde vivia, disse as notas á minha mãe e esta sorriu, duas negas era super-normal, ela entrou no carro, e de seguida entrei eu, ela disse-me que no dia seguinte iriamos novamente passear, pois ela andava cansada e precisava de desanuviar, com um pressentimento de que ela me leu os pensamentos, respondi num suspiro : " a quem o dizes mãe, a quem o dizes ", e fechei a porta do carro.

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